MEMÓRIAS 2024

Para Narractiva Periférica, o ano de 2024 não foi apenas um ciclo de atividades, mas o marco de uma virada institucional estratégica. Durante este período, a organização consolidou sua presença nos territórios e refinou suas metodologias de atuação, provando que a ponte entre o conhecimento técnico e a vivência popular é o caminho mais eficaz para a transformação social. A importância das atividades realizadas em 2024 reside na capacidade da Narractiva de atuar como um nó articulador em redes complexas de impacto. Foi um ano de dias intensos, onde o foco esteve em: Validação de Metodologias: O fortalecimento de tecnologias sociais que permitem à periferia narrar a própria história com autonomia e técnica. Fortalecimento de Alianças: A construção de diálogos sólidos com instituições de renome e de grupos e organizações territoriais elevando o patamar das intervenções e garantindo que as políticas públicas alcancem, de fato, a "periferia da periferia". Capilaridade e Confiança: O aprofundamento dos vínculos de confiança com as lideranças locais e os agentes que atuam na ponta, garantindo que a comunicação e a cidadania sejam exercidas por quem conhece o chão do território. Preparação para o Futuro: A estruturação de projetos que hoje servem de base para a expansão da rede, garantindo que o legado de 2024 se desdobre em frutos duradouros para os anos seguintes. Os resultados alcançados em 2024 demonstraram que a Narractiva Periférica atingiu um novo nível de maturidade administrativa e política. Mais do que realizar eventos, a associação ocupou espaços de decisão e transformou o audiovisual e a comunicação em ferramentas reais de soberania e desenvolvimento.

Este ano foi, em essência, o alicerce sobre o qual as conquistas que apresentaremos a seguir foram construídas — um período de colheitas satisfatórias e, acima de tudo, de plantio de novas e audaciosas possibilidades para a Baixada Fluminense.

                                                                               Soberania, Pertencimento e Desenvolvimento, estruturando o audiovisual como uma tecnologia social de emancipação.

A Periferia se Vendo na Tela: O Cinema como Espaço de Comunhão: A execução do RAP-CIRCUITO (Rede Audiovisual Periférica – Circuito Itinerante) entre os meses de março e agosto em 2024 consolidou-se como um marco na democratização cultural de Nova Iguaçu. Mais do que uma série de eventos, o projeto foi uma ferramenta viva de descentralização, levando a sétima arte para onde o povo está e transformando praças, esquinas e espaços comunitários em verdadeiros cinemas a céu aberto. Territórios Ocupados: A Rota da Identidade O circuito percorreu os bairros de Jaceruba, Tinguá, Vila de Cava, Rancho Fundo e Miguel Couto, alcançando as periferias das periferias. Em cada uma dessas localidades, a chegada da estrutura itinerante não apenas levou lazer, mas promoveu um encontro potente entre os moradores e suas próprias histórias. O projeto RAP-CIRCUITO foi contemplado nos editais da LPG-Lei Paulo Gustavo realizado pela SEMCULT-NI.

Encontros de Saúde, Cultura, Comunicação e Cidadania

nos territórios periféricos da Baixada Fluminense

Abril 24 - Tinguá , Miguel Couto e Vila de Cava.

O Audiovisual como Tecnologia Social de Escuta: A produção de um produto audiovisual como ponto de conclusão dessa parceria não foi um mero registro; foi uma ferramenta de escuta e interação. O impacto dessa aliança está em transformar a pesquisa institucional em debates públicos e fóruns vibrantes. Narractiva Periférica transforma dados frios em narrativas potentes, permitindo que a instituição governamental entenda, em tempo real, as demandas urgentes da "periferia da periferia". Fortalecimento Estrutural e Sustentabilidade: Para o Governo e grandes instituições, trabalhar com a Narractiva Periférica significa investir na sustentabilidade do território. Cada ação conjunta fortalece projetos permanentes como a EPA (Escola Periférica de Audiovisual) e a RAP (Rede Audiovisual Periférica). Isso garante que, após o encerramento de um ciclo de parceria, o território não fique vazio: ele fica com agentes capacitados, equipamentos ativos e uma rede de comunicação pronta para seguir servindo à população. A união entre o rigor institucional e a vivência da Narractiva Periférica é o modelo ideal de governança participativa. É a prova de que a periferia não precisa apenas de "assistência", mas de parceria técnica. Ao apoiar a Narractiva, instituições governamentais encurtam caminhos, otimizam recursos e, acima de tudo, cumprem sua missão social com uma eficácia que só quem pisa o chão da Baixada Fluminense pode oferecer. É a ciência com pé no barro e a tecnologia a serviço da vida.

A experiência realizada pela Narractiva Periférica, na Estação da Cultura Tinguá — espaço da SEMCULT de Nova Iguaçu — em parceria com instituições de excelência como a Fiocruz, a AMAT Oficial (Associação de Moradores e Amigos de Tinguá) e o CPLT (Coletivo Permanente de Luta por Tinguá), revela uma metodologia de impacto única para o desenvolvimento social e a saúde pública no Brasil. Foram dias intensos durante o mês de abril de 2024, com resultados mais que satisfatórios, consolidando pontes fundamentais entre a população local, os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e os técnicos da Fiocruz. Enquanto grandes instituições detêm o saber científico e as diretrizes políticas, a Narractiva Periférica detém o saber territorial e a capilaridade narrativa. Essa aliança não é apenas uma "prestação de serviço", mas a criação de uma ponte estratégica que traduz o institucional para o popular e eleva o popular ao patamar de protagonista. Políticas públicas e evidências científicas só transformam vidas quando atravessam as fronteiras invisíveis da periferia. A Narractiva Periférica atua como o "tradutor cultural" desse processo. Ao mobilizar moradores de Tinguá, Vila de Cava e Miguel Couto, a parceria garantiu que a ciência não fosse apenas "entregue", mas sim apropriada pela comunidade. O conhecimento técnico da Fiocruz, ao passar pela lente da Narractiva Periférica, tornou-se ferramenta de sobrevivência diária. Em territórios onde a ausência do Estado é muitas vezes preenchida por notícias falsas, a aliança institucional fortalece a segurança do território. A criação dos Agentes Periféricos de Notícias (APNs) provou que a melhor forma de combater a desinformação é através da Soberania Audiovisual. Quando o governo se alia a quem detém a confiança da vizinhança — integrando o conhecimento técnico dos especialistas ao trabalho de base dos agentes de saúde e à vivência dos moradores — a informação confiável ganha pernas, voz e rosto.

RAP-Rede Audiovisual Periférica

Circuito itinerante de exibições de filmes nos bairros periféricos de Nova Iguaçu

O Protagonismo Iguaçuano: A curadoria do RAP-CIRCUITO foi fiel à sua missão de promover a expressão artística local. As sessões foram compostas por: Autores de Nova Iguaçu: Valorizando a estética e a narrativa de quem produz na Baixada. Egressos da EPA: Exibição dos resultados produzidos pelos alunos formados na Escola Periférica de Audiovisual (EPA:FCA), fechando o ciclo de formação e dando visibilidade aos novos talentos da rede. A Tela como Espaço de Cidadania: A execução nas Unidades Regionais de Governo (URGs) criou uma rede de costume e frequência, ocupando espaços abertos em "comunhão" com parceiros locais e agentes culturais.

O RAP-CIRCUITO não foi apenas sobre assistir a um filme; foi sobre o ato político de ver-se na tela, de reconhecer vizinhos, ruas e realidades transformadas em arte. Ao democratizar o acesso a produtos audiovisuais, o projeto cumpriu com excelência os objetivos de: Criar Público: Sensibilizar moradores que raramente frequentam salas de cinema comerciais devido à distância geográfica e financeira. Construir Identidade: Fortalecer o sentimento de pertencimento ao exibir filmes que dialogam diretamente com a vivência periférica.

Articular Redes: Fortalecer as parcerias entre os agentes sociais dos bairros, consolidando a Rede Audiovisual Periférica (RAP) como uma estrutura permanente de mobilização. O RAP-CIRCUITO encerrou este ciclo provando que a tela é um espelho potente. Em cada projeção realizada em Jaceruba ou no Rancho Fundo, reafirmamos que a periferia não quer apenas consumir cultura — ela quer produzir, exibir e se reconhecer nela. O circuito foi o sucesso do encontro entre a técnica e o territórios.

Conexões e Potências no Encontro Nacional de Culturas e Periferias

Narractiva Periférica cruzou as fronteiras da Baixada Fluminense para participar do Encontro de Culturas Periféricas, realizado em Niterói. O evento, que reuniu os principais coletivos, gestores e articuladores do estado, foi o cenário de um intercâmbio fundamental para o fortalecimento das narrativas que nascem nas margens, a participação da Narractiva foi pautada pela consolidação de redes de afeto e trabalho.

Da Baixada à Fiocruz: Um Encontro de Saberes e a Celebração da Nossa Voz

Estreia do documentário fruto dos Encontros de Saúde, Cultura, Comunicação e Cidadania e a visita especial de alunos e moradores da BF à ENSP e ao Museu da Vida, na Fiocruz.

O encerramento do ciclo de Encontros de Saúde, Cultura, Comunicação e Cidadania não poderia ter sido mais emblemático. Em uma jornada que uniu aprendizado e celebração, a Narractiva Periférica, em parceria com a AMAT e a CPLT, conduziu uma comitiva especial de moradores e Agentes Comunitários de Saúde (ACS) de Tinguá, Miguel Couto e Vila de Cava para uma imersão na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O ponto alto do encontro foi a estreia do documentário, fruto direto das discussões e vivências realizadas nos territórios. Ver as histórias da Baixada projetadas em uma instituição de referência mundial como a Fiocruz reafirmou o nosso conceito de Soberania Audiovisual: o momento em que o povo se torna autor da sua própria narrativa de saúde e bem-estar. A programação seguiu com visitas guiadas à ENSP (Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca) e ao Museu da Vida, onde a ciência e a história se encontraram com a realidade vibrante dos nossos agentes e moradores. Foi mais do que uma visita técnica; foi um ato de ocupação e pertencimento. Ao caminhar pelos corredores da Fiocruz, o grupo da Baixada Fluminense levou consigo a força de seus territórios e a certeza de que a produção de conhecimento se faz em conjunto — entre o laboratório e a rua. Esta ação simboliza o sucesso de uma rede que não para de crescer, provando que quando as instituições se abrem para o popular, o resultado é uma cidadania mais forte e uma saúde que realmente comunica e transforma.

A Associação Narractiva Periférica Centro de Ações Culturais da Baixada Fluminense consolida-se como uma instituição de articulação cultural e produção audiovisual dedicada à democratização da memória e ao fortalecimento das identidades do território Iguaçuano e da Baixada Fluminense. Atuando na intersecção entre a comunicação e cultura popular, a salvaguarda do patrimônio imaterial e a formação técnica, desenvolvemos projetos que resgatam trajetórias invisibilizadas e promovem o protagonismo das periferias da periferia. É importante ressaltar que, mesmo diante de um cenário de escassez de fomento e dificuldades econômicas, a Narractiva Periférica tem mantido sua atuação de forma ininterrupta, executando suas atividades com esforço utilizando nossos limitados recursos próprios,- originados por prestações de serviços-, quando não somos contemplados em editais. Este esforço demonstra o compromisso ético da instituição e sua equipe com a cultura local e sua alta capacidade de execução e autogestão. A viabilidade técnica aqui apresentada evidencia um enorme potencial de escala: com o aporte de novos recursos econômicos e parcerias, estas atividades poderão ser potencializadas, ampliando o alcance social e a preservação da memória histórica de Nova Iguaçu e da Baixada Fluminense.      2024: O Ano da Consolidação e do Fortalecimento Estrutural

Produção Documentário: Sylvio Monteiro alma inquieta.

O Registro Necessário de um Gigante da Baixada

Existem artistas que não apenas passam pelo tempo, mas o desafiam. Sylvio Monteiro foi, sem dúvida, uma dessas figuras. Cantor, ator e escritor multifacetado, Sylvio não foi apenas um nome no cenário cultural de Nova Iguaçu e da Baixada Fluminense entre as décadas de 70 e 90; ele foi uma força da natureza que rompeu fronteiras e estabeleceu novos diálogos entre o subúrbio e o cenário nacional. A produção de um documentário sobre sua trajetória é, portanto, mais do que uma homenagem — é um ato de reparação histórica. Um Legado entre Palcos e Paixões: Sylvio Monteiro carregava a marca da versatilidade. Sua presença nos palcos o levou a contracenar com ícones da dramaturgia brasileira, como Marcela Cartaxo, Emiliano Queiroz e Vicente Viscaíno. No entanto, seu brilho nunca foi ofuscado; pelo contrário, Sylvio era conhecido por causar estranheza e paixões por onde passava. Sua arte não era neutra: ela provocava, questionava e encantava, sendo um reflexo da própria complexidade da vida na Baixada. O Documentário como Salvaguarda da Memória: Em um país que muitas vezes esquece seus ídolos locais, o registro audiovisual surge como a ferramenta definitiva de preservação. Este projeto, apoiado pela Lei Paulo Gustavo através do edital da Secretaria Municipal de Cultura de Nova Iguaçu, visa capturar a essência desse artista completo. Para as novas gerações: É a oportunidade de conhecer quem abriu caminhos para o teatro e a música na região. Para a história: É o documento que eterniza as performances, os escritos e a voz de um homem que fez da Baixada o seu palco principal. Contar a história de Sylvio Monteiro através de um documentário é exercer a nossa Soberania Audiovisual. É a Baixada Fluminense olhando para si mesma e reconhecendo seus gênios. Ao documentar sua vida e obra, garantimos que o nome de Sylvio Monteiro permaneça onde sempre mereceu estar: no centro do debate cultural e no coração da identidade iguaçuana. Sylvio Monteiro foi um artista de mil faces, e agora, através das lentes do cinema, sua luz poderá brilhar para sempre, inspirando todos aqueles que acreditam que a arte é a forma mais profunda de resistência e beleza.